Escalada móvel no Frey | Odiamos amar a Argentina | Rio Caminhadas.com.br

Escalada móvel no Frey | Odiamos amar a Argentina

13 Jan – Quarta-feira

Nosso pão durou bem menos do que imaginávamos. Tomamos café no abrigo. Nesse dia a neve não caiu, mas o frio e o vento ainda estavam por lá. Mauro e eu ficamos revezando parceiros no xadrez, enquanto Claudio e Alessandro – um curitibano – foram tentar escalar o Diedro de Jim – o de verdade 🙂 –. Lá do abrigo quentinho dava pra ver o vento açoitando os dois na parede. Conseguiram terminar, mas sem sentirem os dedos.

À tarde o tempo melhorou. Iniciou-se uma verdadeira procissão para a Agulha Frey. Nós fugimos do tumulto e fomos para a M2. Animei. Menos de uma hora depois estávamos na base do Del Diedro (5+). Chegando lá o tempo mudou novamente. Vento e frio de verdade. Falei com o Mauro que até faria sua segurança, mas não subiria. Claudio insistiu e subiu. Chegando mais ou menos na metade da via, disse que desistiria, falamos pra ele descansar e continuar. Assim fez. Depois nos contou que não conseguia sentir o que segurava, tinha que olhar para a mão e ver se onde estava apoiando era uma agarra mesmo. Isso bastou para comprovar que fiz a escolha certa. Mauro concordou. Escalada pra mim é mais prazer que sofrimento extremo. E nesse dia não seria prazeroso. Alessandro pensou duas vezes antes de subir, mas logo os dois estavam no cume. Descemos e o cheiro de macarrão se espalhou no ar gelado.

Nesse dia fez sol…

E teve mais gente entrando no lago

Caminhando para a M2

Claudio com os dedos congelados

Alessandro acompanhou

Cume!

 

No início da noite um argentino entrou desesperado no abrigo. Queria que alguém o emprestasse uma lanterna. Sua barraca havia voado com tudo dentro. A criatura, querendo comodidade, armou-a no descampado ao lado do abrigo. Pagou o preço por não acreditar no vento patagônico.

As partidas de xadrez continuaram sendo regadas com um bom vinho argentino até o sono se insinuar. Como Mauro mudou para o abrigo nesse dia, ocupei sua barraca e deixei Claudio sozinho na dele. Quando entrei na nova moradia cheguei a entender porque ele quis se mudar. Coloquei o isolante no chão e deitei. Meu corpo fez um S. O menino não nivelou onde dormiu. Saquei alguns pacotes de macarrão e soquei embaixo do isolante para compensar o desnível. Resolvido. No dia seguinte uma parte foi para a panela.

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